O
fim da era Ronaldinho Gaúcho no Flamengo chegou. Na manhã desta
quinta-feira, o meia-atacante entrou na Justiça contra o clube
rubro-negro por causa de vencimentos atrasados, conseguiu uma liminar na
9ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro e estará
livre para assinar com outro time. A advogada Gislaine Nunes está ao
lado do melhor do mundo de 2004 e 2005 na ação, que cobra R$ 40.177,714
referentes a salários,
previdência, FGTS, direito de imagem, direito de arena.
"O
Ronaldinho não é mais jogador do Flamengo, o contrato dele foi
rescindido judicialmente. Com relação a valores, eu não posso falar por
conta do segredo de Justiça. A liminar não diz nada com relação a
valores. O Flamengo já está sabendo: meia hora antes de eu ir lá a
liminar já estava com o clube", explicou a advogada ao canal
'SporTV'. "Agora nós estamos cobrando valores altíssimos para fazer
isso, valores milionários e valores que o atleta tem direito por força
de contrato".
"Geralmente os contratos de imagem são usados para
burlar previdência, impostos e encargos trabalhistas. Conseguimos o
reconhecimento, e então o juiz conseguiu acatar nossa tese, libertou o
atleta e agora ele está liberado para seguir a vida de dele", prosseguiu
Gislaine.
De acordo com o despacho do juiz substituto
Andre Luiz Amorim Franco, da 9ª Vara do Trabalho, o Flamengo não tem
realizado o pagamento de salários do jogador, nem depositado direitos
trabalhistas, como o FGTS. "Os elementos dos autos, bem como a
notoriedade do assunto, indicam
que o réu está, de fato, em mora com o autor, pelo atraso contumaz de
salários e do FGTS", escreveu o magistrado.
Nos últimos meses,
Ronaldinho e Roberto Assis, seu irmão e procurador, tentaram de todas as
formas receber parte dos salários atrasados que correspondiam ao que a
Traffic teria de pagar, mas que o Flamengo assumiu em 2012. No entanto,
os acordos anunciados publicamente pela diretoria não foram cumpridos.
Nesta
quinta-feira, o Flamengo fará um amistoso contra a seleção do Piauí para
arrecadar dinheiro e ajudar a sanar parte da dívida com o atleta. No
entanto, o jogador não participou dos treinos desta semana e faltou no
embarque da delegação para Teresina na última quarta, o que irritou a
direção.
O vice-presidente de futebol, Paulo César Coutinho,
falou para torcedores que Ronaldinho tinha sido afastado
pela presidenta Patrícia Amorim, o que foi desmentido pelo diretor
executivo, Zinho. "O Coutinho não sabia (da liminar). Dá pena que ele
falou que o Ronaldinho não joga nada. Então, com essa liminar, ele vai
chorar na cama", ironizou Gislaine Nunes.