"Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa Rubro Negra será uma bastilha Inexpugnável "

Nelson Rodrigues

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Futuro vice de futebol cogita fundo de investimento para fortalecer Fla

Torcedor de arquibancada, mas só do Maracanã, Wallim Vasconcellos se escora na experiência como executivo e cita frase de Felipão sobre pressão

Por Vicente Seda Rio de Janeiro
Wallim Vasconcellos não deixou o conforto da vida já arrumada e bem-sucedida como economista por acaso. Aos 61 anos, o executivo nascido no Rio de Janeiro se lançou candidato à presidência do Flamengo. Impugnado por questões relacionadas ao seu tempo como sócio do clube, ele foi designado inicialmente pela Chapa Azul, que venceu a eleição de 3 de dezembro, diretor geral remunerado do clube. Porém, não quis receber do Flamengo. Pediu ao presidente eleito no seu lugar, Eduardo Bandeira de Mello, amigo dos tempos de Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), outra posição. 

Foi anunciado, ao lado do novo diretor executivo do futebol, Paulo Pelaipe, como vice-presidente do departamento. Um desafio sem par em sua carreira profissional. Agora lidando com a paixão, Wallim explica suas ideias para fazer o Flamengo voltar aos trilhos do sucesso. Fala em fundo de investimentos, possibilidade de usar leis de incentivo para financiar a base, mas acredita que o principal benefício que poderá trazer aos rubro-negros é a experiência administrativa e a rede de contatos no mercado montada ao longo dos anos.
Wallim Vasconcellos, vice de futebol do Flamengo (Foto: Alexandre Vidal / Flaimagem)
Wallim Vasconcellos, vice de futebol da nova diretoria do Flamengo (Foto: Alexandre Vidal / Flaimagem)

- Minha relação com o futebol até hoje era só como torcedor e peladeiro. Gosto muito de pelada, mas estou com uma artrose no joelho e não consigo mais jogar, agora só assistir. Basicamente a minha vida profissional foi toda no BNDES, fiquei 20 anos lá, saí em 2003 e fundei a Iposeira Capital. Acho que posso trazer várias coisas. Relacionamento, contato com empresas, bancos, o que é importante numa negociação, busca de patrocínio, negociação de financiamento, captação de recursos. Essa experiência no mercado pode ser importante para o clube em diversas situações.
Para captarmos recursos para investir em jogadores, podemos fazer um pool de empresas, um fundo de investimento em direitos, pode haver empréstimos em cima de recebíveis, então há vários instrumentos do mercado de capitais que podem ajudar nessa captação de recursos"
Wallim Vasconcelos
Ele afirma ser torcedor de arquibancada, mas só da arquibancada do Maracanã. O Engenhão, que abrigou o Flamengo desde o fechamento do estádio que sediará a final da Copa do Mundo de 2014, reconhece não ter frequentado. A diretoria rubro-negra ainda negocia a utilização do Engenhão em 2013, já que o Maracanã, apesar da inauguração, estará fechado em alguns meses em razão da Copa das Confederações.
Curiosamente, ao ser indagado sobre um jogo que o marcou, não apontou inicialmente uma conquista de título, mas um amistoso realizado em 1968, quando o Flamengo enfrentou uma "seleção". A goleada por 5 a 1 no Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes não saiu mais da cabeça de Wallim, que também lembra com carinho do início da era mais vitoriosa da história rubro-negra, para ele nascida do gol do "Deus da raça", Rondinelli, na final do Carioca de 1978, contra o Vasco.
- Eu frequentava bastante o Maracanã na arquibancada. Fui a todas as finais de Brasileiro, Libertadores, Carioca, ia a jogo até contra time pequeno na quarta-feira à noite. Sempre gostei muito do Maracanã, mas confesso que nessa época de Engenhão não tenho frequentado muito. Vários jogos me marcaram. Um deles foi o 5 a 1 no Cruzeiro, que era uma potência. Eles tinham Raul, Tostão, Zé Carlos, Nardal, Pedro Paulo... Ganhamos por 5 a 1, com dois gols do Silva, dois do Luís Carlos, que estava começando. Acho que foi em 68, se não me engano. Fui com o meu pai a esse jogo, me marcou bastante. Mas vários jogos também marcaram. O gol do Rondinelli em 78, quando começou nossa era de maior sucesso...

O primeiro título brasileiro foi uma felicidade muito grande, Libertadores também. Cada vitória do Flamengo era uma emoção diferente - lembrou.
Na prática, Wallim coloca algumas possibilidades à mesa. Algumas delas, porém, dependem de outras soluções para se tornarem opções viáveis. A captação de recursos através de leis de incentivo para o financiamento das divisões de base, por exemplo, depende da obtenção da Certidão Negativa de Débito que, no momento, o clube não tem. Pelo contrário. Recentemente, a Receita Federal mordeu os R$ 20 milhões de luvas que o clube recebeu pela renovação do contrato de transmissão de jogos até 2018. Dessa forma, a diretoria teve de pedir autorização aos poderes do clube para antecipar mais R$ 27 milhões do contrato para quitação de salários e dívidas urgentes. Para 2013, restaram cerca de R$ 8 milhões desta receita, que é a maior fatia entre as fontes de renda rubro-negras.
A vitória sobre o Vasco por 1 a 0 na final do Campeonato Carioca de 1978, com gol de Rondinelli, é um dos jogos mais marcantes da vida de Wallim como torcedor
- Eu penso em usar isso, mas o Flamengo tem o problema da Certidão Negativa de Débito. Qualquer incentivo que for pleiteado, tem de resolver isso antes. Temos de obter a certidão para facilitar essa captação de recursos. Mas há outras possibilidades que podem ser usadas, outros instrumentos financeiros. Podemos montar um fundo para investir em direitos sobre jogadores, tenho bastante experiência nisso.
Questionado se a criação de um fundo de investimentos é o plano para o futebol rubro-negro no próximo triênio, Wallim acenou com outras possibilidades, dando a entender que a nova diretoria ainda buscará a solução ideal para encerrar a escassez de títulos. Quer criatividade para permitir a contratação de jogadores consagrados.
- (Fundo de investimentos) É uma das intenções. Para captarmos recursos para investir em jogadores, podemos fazer um pool de empresas, um fundo de investimento em direitos, pode haver empréstimos em cima de recebíveis, então há vários instrumentos do mercado de capitais que podem ajudar nessa captação de recursos. Pretendo usar essa experiência de todos esses anos no mercado para ajudar o Flamengo.
Minha relação com o futebol até hoje era só como torcedor e peladeiro. Gosto muito de pelada, mas estou com uma artrose no joelho e não consigo mais jogar, agora só assistir"
Wallim Vasconcellos
No discurso de Wallim, é fácil perceber que não cabe emoção no planejamento, mas a certeza de que ela estará presente nas cobranças não assusta o cartola de primeira viagem. Reconhece que será um desafio tratar de negócios levando em conta a paixão de milhões de torcedores, com toda a exposição - para o bem e para o mal - que o Flamengo proporciona. Mas nada que provoque medo ou receio no novo vice de futebol.
Com o diretor executivo Paulo Pelaipe, Wallim estará na linha de frente nas glórias, mas também nas crises. A resposta dele passa pela brincadeira desastrada de Luiz Felipe Scolari em sua apresentação como técnico da seleção brasileira, na qual, indagado sobre a pressão da Copa do Mundo no Brasil, afirmou que, se não gostasse de pressão, trabalharia em um determinado banco - que prontamente protestou, bem como os sindicatos envolvidos.
- Assustar, não assusta, não. Sei que é um desafio enorme, sei da dimensão, mas não tenho o menor medo. Eu trabalhava em banco, a pressão era enorme também. Sei que é diferente trabalhar com paixão, e óbvio que você pode ser o cara mais competente do mundo que, se não ganhar títulos, não vai ser reconhecido. Esse é o maior desafio. Mas acho que, se trabalharmos com competência, com as pessoas certas, títulos e outras coisas são uma consequência natural.

Não vou repetir o que o Felipão falou, mas, se eu não quisesse pressão, trabalharia em outro lugar (risos). Não vou dizer no lugar que ele falou, até porque não concordo nesse sentido. Mas, se não quisesse pressão, estaria na praia. Já estou acostumado com pressão, trabalhei sob pressão a vida inteira. Não é isso que vai me impedir ou me fazer ficar com medo.
paulo pelaipe, eduardo bandeira de mello e wallim vasconcellos (Foto: Janir Junior / Globoesporte.com)
No futebol, Wallim (direita) trabalhará com o diretor executivo Paulo Pelaipe (esquerda), na gestão de Eduardo Bandeira de Mello (Foto: Janir Junior / Globoesporte.com)
Uma das primeiras medidas da gestão Eduardo Bandeira de Mello será a contratação de uma auditoria independente, com objetivo de situar a nova administração sobre a real situação financeira do Flamengo. Enquanto esse diagnóstico - que só deve ficar pronto no fim do primeiro semestre de 2013 - não chega, a diretoria prepara seus vice-presidentes para o pior cenário possível, com o objetivo de evitar surpresas. Cortes de despesas e pessoal estão em pauta.

Wallim diz que vai implementar no Fla os três pilares que utilizava para recuperar empresas em dificuldades: boa gestão, injeção de recursos e bom produto
- Essa questão de caça às bruxas não existe. A gente tem de fazer uma auditoria, está praticamente fechada, vamos contratar uma grande empresa e anunciar em breve. Precisamos saber efetivamente como recebemos o clube. Isso é importante para o torcedor e para a gente também, para não ser acusado depois de aumentar dívida. A partir daí, tem é de trabalhar. Se alguém fez alguma coisa errada contra o clube, tem de ser responsabilizado nas instâncias devidas do Flamengo. Mas de maneira nenhuma há caça às bruxas. A gente não tem de olhar para trás, mas para frente. O para trás vai aparecer naturalmente na medida em que tivermos os resultados da auditoria.

A dívida atual do clube também não amedronta Wallim, que lembra já ter lidado com empresas em crise em seus tempos de BNDES. Diz que recuperou diversas delas com três diretrizes: boa gestão, injeção de recursos e bom produto.
- Eu participei de várias operações no BNDES com empresas em situações muito complicadas. Mas, colocando uma boa gestão e dinheiro, todas elas sobreviveram. Obviamente você tem de ter um bom produto, mas o Flamengo é um bom produto, tem uma excelente marca, espetacular. Se você tiver criatividade para gerar recursos, e nós sabemos gerar esses recursos, o clube é totalmente viável. Já participamos de operações muito complexas, então não é um desafio que nos assuste. Se nos assustasse, não estaríamos aqui. Se entramos, é porque temos certeza de que vamos conseguir resolver.

Já participamos de operações muito complexas, então não é um desafio que nos assuste. Se nos assustasse, não estaríamos aqui. Se entramos, é porque temos certeza de que vamos conseguir resolver"
Wallim Vasconcellos
Wallim responde a processo por improbidade administrativa em sua passagem pelo BNDES, mas alegou, com a divulgação da notícia no período eleitoral, que já há uma decisão favorável em primeira instância não divulgada por segredo de Justiça, e que se trata de uma acusação política - o tema central da ação é a privatização da Eletropaulo conduzida pelo PSDB na década de 90.
Na condução do futebol, ele terá ao seu lado o diretor executivo Paulo Pelaipe e um conselho gestor formado por Zico, Bandeira de Mello, Flávio Godinho (executivo da EBX) e Luís Eduardo Baptista, presidente da Sky e futuro vice de marketing. A palavra final será, no dia a dia, de Pelaipe e, nas decisões estratégicas e contratações, da maioria do conselho.

- É a maioria que resolve. A gente senta, conversa, e a maioria decide os aspectos mais relevantes. No dia a dia, o Paulo tem total autonomia. Não precisa ficar perguntando 'Posso isso, posso aquilo?'. 
A gente confia nele para isso.
Já a confiança da torcida rubro-negra, Wallim e sua diretoria tentarão merecer.

Um novo rumo para o Flamengo! Zico apoia!

Na véspera do embarque para retomar minhas atividades no comando do Iraque, eu fiz questão de ir até o lançamento de uma chapa de oposição para as eleições no Flamengo e manifestar a meu apoio. Não acho que seja o momento para apontar erros do passado, mas de mirar num futuro grandioso para o clube. E acredito que o movimento Flamengo Campeão do Mundo, que já traz esse nome inspirador, pode alcançar os objetivos. A coluna desta semana fala do meu envolvimento nesse projeto.

Em primeiro lugar, acredito que o Flamengo não deve ser plataforma de lançamento profissional ou político para nenhum dirigente. Na minha curta passagem fiz questão de deixar claro que não queria ser remunerado diretamente pelo clube, ainda mais na situação em que ele se encontra. Não deve ser pelo dinheiro que um profissional tem que entrar no Flamengo hoje, principalmente se pensarmos que a gestão ainda é amadora. Por outro lado, a dedicação deve ser total. Como conciliar?


Encontrei no grupo encabeçado pelo Wallim de Vasconcellos a resposta que é o que eu penso também faz muito tempo. É preciso contar com profissionais bem sucedidos que possam se dedicar sem se preocupar com as contas pessoais a pagar. E é assim a chapa Flamengo Campeão do Mundo. Além do Wallim, dono de uma empresa na área financeira com larga experiência em gestão, há feras como o Bap (presidente da Sky e que eu conheço), o Flavio Godinho (sócio do Eike Batista), Carlos Langoni (ex-presidente do Banco Central), os presidentes da Visa, da Cielo, executivos da propaganda e do mercado editorial e mais um grande número de apoiadores. Abaixo deles, sem dúvida, uma estrutura com diretores contratados e justamente remunerados.


Como você pode ver, estamos falando de um grupo formado por profissionais vitoriosos e com uma proposta que combina com o que eu acredito. A ideia é posicionar o Flamengo com ideais de ética, disciplina, competitividade e valorização da marca internamente no Brasil e para o mundo. O potencial é enorme, todos nós sabemos, e esse pessoal sabe muito bem o que é lidar com grandes marcas. Por isso, o Wallim tem o meu apoio nas eleições do final deste ano


Quero deixar bem claro que está completamente descartada a possibilidade de eu assumir um cargo no clube. Como disse, não quero ser remunerado nesse modelo para o Flamengo pagar a conta. Já dei minha cota dentro de campo e preciso trabalhar para sustentar a estrutura que tenho com um clube, escolas de futebol e outros projetos. Hoje, tenho um contrato com o Iraque sendo renovado e meu objetivo é cumprir. Isso não significa que estarei ausente dos projetos. Sempre que eu puder, estarei pronto para colaborar com ideias e até mesmo com a minha imagem, como já fiz inúmeras vezes independente de posicionamento político.


O Flamengo deve estar acima de qualquer divergência ou vaidade. Insisto que a hora é essa para mudar a história do clube. E o caminho é simples. O voto. Não dá para aceitar que o destino do clube seja decidido com algumas centenas de votos. Quem é sócio, quem está apto a votar, tem que estar presente nas próximas eleições. Pode visitar o site da Chapa http://www.flacampeaodomundo.com.br e acompanhar os conteúdos que aos poucos vão sendo colocados lá para que você conheça a proposta.


Viajo nesta quarta-feira otimista. Conhecia alguns dos executivos da Chapa e tive oportunidade de conversar com o próprio Wallim, que eu não conhecia mas muitos já tinha me passado que se trata de homem de bem e comprometido com valores que eu acredito. O papo com ele foi ótimo, Wallim ganhou a minha confiança e o meu voto. Chegou a hora de fazer alguma coisa para que o Flamengo seja do tamanho que ele merece.


Até a semana que vem!

Ninho de cobras e urubus

Articulações, ataques e ameaças. A eleição para a presidência do Flamengo é só no fim do ano, mas o caldeirão político do clube, embalado pelos resultados medíocres do time, já ferve

por Felipe Carneiro e Renan França |
A presidente Patrícia Amorim e o oposicionista Marcio Braga: eles começam a movimentar as peças no tabuleiro eleitoral da Gávea

Debates incandescentes na ordem do dia, com troca de ataques pesados entre oposição e situação em ano eleitoral. A descrição, que poderia se referir ao Congresso Nacional, é um retrato dos bastidores políticos do Flamengo, o clube mais popular do país, com cerca de 30 milhões de admiradores. A saída abrupta de Ronaldinho Gaúcho, que rescindiu seu contrato na Justiça e ainda cobra uma dívida de 40 milhões de reais, acirrou os ânimos. Na segunda-feira passada, diversos representantes da oposição se reuniram no Teatro do Leblon em busca de um discurso uníssono. Com tantas correntes e até adversários no mesmo balaio, uma coligação exigiria delicada costura de forças - tarefa digna do padroeiro do clube, São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis. Mesmo no que tange à situação, a unidade é frágil. Em rota de colisão com a presidente Patrícia Amorim, o vice Helio Ferraz já declarou que ela não terá seu apoio na tentativa de reeleger-se em dezembro. "É impossível traçar um mapa político do Flamengo. As correntes surgem, alinham-se e voltam a brigar pelos mais diferentes motivos, sejam ideológicos, políticos ou pessoais", analisa o advogado Adalberto Ribeiro, ex-procurador-geral do clube.




Heterodoxos, os grupos da Gávea apontam para muitas direções e interesses. Na ala dos ex-presidentes estão figuras com mais influência política que cacife eleitoral em si, como Marcio Braga, Antonio Dunshee de Abranches e Kléber Leite. No mosaico se encontram ainda forças emergentes, a exemplo do presidente do conselho fiscal, Leonardo Ribeiro, ex-chefe de torcida organizada que virou um dos pilares da gestão atual. Somam-se a eles as turmas da pelada, da sauna, do tênis, da piscina, além da temida Boca Maldita, como é conhecida a patota de sócios antigos e reclamões. Esse caldeirão multifacetado, verdadeiro ninho de cobras e urubus, é um manancial de futricas, rasteiras e revides. Enquanto cerca de 200 pessoas debatiam no Teatro do Leblon o futuro rubro-negro, ali perto, na sede da Gávea, membros dos conselhos deliberativo e fiscal davam o troco e convocavam para depor Marcio Braga e Kléber Leite, dois dos articuladores da oposição. Eles terão de prestar conta sobre o suposto desaparecimento de 3 milhões de reais referentes a uma parte da venda do jogador Renato Augusto, concretizada em 2008. Tido como o porta-voz dos descontentes, Marcio Braga, por sua vez, vai entrar com um pedido de abertura de inquérito para investigar o imbróglio Ronaldinho Gaúcho. Numa situação extrema, cogita até mesmo pedir o impeachment da presidente.

Administrar uma instituição com a grandeza do Flamengo é um desafio que, a julgar pela quantidade de pré-candidatos, seduz muita gente. Envolve doses cavalares de paixão - e dinheiro. Apenas 5% dos municípios do país têm orçamento igual ou maior que o do clube, calculado em 204 milhões de reais no exercício do ano passado (veja o quadro). Apesar das receitas cada vez maiores, o rubro-negro se vê às voltas com uma dívida na casa de 355 milhões de reais, um legado danoso que cai no colo de quem assume o poder. Embora tenha um vultoso faturamento, a agremiação é gerida de maneira amadora - um defeito comum a outros grandes do Rio, aliás. Razão de ser do clube, o futebol é de competência exclusiva do conselho diretor, formado por quinze vice-presidentes não remunerados. A recompensa por seu trabalho, além do poder e da visibilidade proporcionada pelo cargo, vem na forma de mimos. Eles ganham ingressos para jogos e camisas do time, partilha que pode virar um problema - como quase tudo na Gávea. Recentemente, Leonardo Ribeiro vociferou ao saber que a cota do vice de finanças Michel Levy era de 25 camisas por mês, cinco vezes maior que a sua. "Qualquer besteira ganha ressonância aqui", explica o empresário e ex-presidente Delair Dumbrosck, derrotado por Patrícia Amorim no pleito de 2009 e um dos críticos mais ferrenhos da presidente.


O polêmico atacante Adriano, que está de retorno à Gávea: pesadas encrencas a caminho

A instabilidade é um tsunami que já dragou muita gente na Gávea, independentemente da estatura. Dela não escapou nem mesmo o maior ídolo da história flamenguista. Nomeado diretor executivo de futebol em 2010, Zico durou apenas quatro meses no cargo. Pediu demissão alegando sofrer fortes pressões políticas, sem ter o devido suporte da presidência. Há quem garanta, no entanto, que a agitação de agora é apenas uma marola. Três anos atrás, conselheiros mais violentos chegaram a atirar cadeiras em seus pares por um motivo banal: eles não queriam ver na camisa rubro-negra, chamada de "manto sagrado", os detalhes em azul do logotipo de um patrocinador. Presidente do conselho atualmente, o desembargador aposentado Sylvio Capanema conseguiu pôr ordem na casa. Algo que tanto a situação quanto a oposição prometem fazer em breve.

FAMILIA MURANI NO MARACANÃ!

FAMILIA MURANI NO MARACANÃ!

Imagem de vencedores!

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Eu, meu filho Renato e meu neto Cristiano Junior no Maraca!